
Wild Wild West: Uyuni, Tupiza e os Vales do Sul, 14 Dias
Santa Cruz, Bolívia
14 dias
Saindo das terras baixas e subindo o vale do Piraí pela velha estrada da Bolívia rumo aos Andes: as cachoeiras de Las Cuevas, a rocha esculpida de El Fuerte e um almoço numa cidadezinha serrana e fresca a 1.650 metros. Asfalto o caminho todo.
Santa Cruz fica na borda quente e plana da bacia amazônica, e as montanhas mais próximas estão a uma manhã de estrada a oeste. A Ruta 7, a antiga rodovia para Cochabamba, deixa a cidade por El Torno, acompanha o rio Piraí até o sopé da serra e então sobe, curva após curva, de cerca de 400 metros a mais de 1.600. Lá no alto está Samaipata, uma cidadezinha de casas caiadas e telhados de barro, e, na crista acima dela, El Fuerte, um morro de arenito esculpido por povos pré-incaicos e declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO. No caminho, as cachoeiras de Las Cuevas ficam a poucos minutos de caminhada da estrada.
Este é um bate-volta sem disfarces: existe uma única estrada asfaltada até Samaipata, e você volta pelo mesmo caminho, uns 240 km no total, mais o acesso a El Fuerte. Isso faz do passeio um dia longo, ideal para quem se sente à vontade em curvas de montanha e em dividi-las com caminhões e ônibus de longa distância. Uma moto alugada de 150–250 cc é a ferramenta certa. Se preferir não fazer tudo em um dia, Samaipata vale muito uma noite, e Las Cuevas sozinha já serve como ponto de retorno para um passeio mais curto.
Maior trecho sem posto de combustível: cerca de 86 km, entre o km 36 e o km 122.
Partida

A praça principal de Santa Cruz, sombreada por árvores e de frente para a catedral de tijolos, é o centro dos anéis viários da cidade e o ponto de partida natural. Saia cedo: o trânsito está mais leve, o calor das terras baixas ainda não apertou e você vai querer bastante luz do dia para a descida na volta.
Dica: Abasteça na saída. Há muitos postos na Avenida Grigotá e na pista dupla até La Guardia.
A estradakm 0–22
As avenidas Cañoto e Grigotá levam você para sudoeste, para fora do centro, até a pista dupla que vai a La Guardia. É plana, reta e movimentada, com micro-ônibus parando sem aviso e veículos entrando pelos dois lados. Há postos de combustível por toda parte nesse trecho.
A estradakm 22–66
A Ruta 7 se estreita para duas faixas e atravessa El Torno, onde fica o último posto antes de Samaipata, por volta do km 36, e então segue o rio rumo ao sopé da serra, passando por Limoncito e La Angostura. Os vilarejos trazem lombadas, cachorros e gente à beira da estrada; entre eles, caminhões e ônibus ultrapassam de forma agressiva.
Mirante
Reserve 10 min
Logo depois do vilarejo de La Angostura, os rios Bermejo e Piojeras se encontram ao lado da estrada para formar o Piraí, o rio que passa por Santa Cruz. É um bom lugar para esticar as pernas antes da subida de verdade: a partir daqui a estrada deixa o fundo do vale e começa a serpentear morro acima.
Dica: Para parar, saia bem da pista; os caminhões passam rápido neste trecho.
A estradakm 66–99
Da nascente do Piraí, a estrada sobe passando por Bermejo e entra na serra, de menos de 800 metros para mais de 1.300. Este é o melhor trecho do dia e também o mais exigente: as curvas são muitas e frequentemente cegas, caminhões pesados sobem devagar e ônibus descem rápido, às vezes invadindo a sua mão. Na temporada de chuvas, deslizamentos de terra e lama na pista são possíveis.
A estradakm 99–121
A partir de Las Cuevas, a estrada volta a subir até o acesso a El Fuerte, por volta do km 117, e até Samaipata, a cerca de 1.650 metros. Aqui em cima o ar é visivelmente mais fresco. As ruas do centro da cidade são de paralelepípedo; vá com calma.
Atração
Reserve 1–2 horas

Três cachoeiras no Río Cuevas, cada uma caindo num poço com margem de areia, acessadas a pé por uma trilha que sobe ao longo do rio a partir da entrada, à beira da estrada. A primeira queda fica perto da estrada; a segunda e a terceira exigem mais caminhada, mas costumam ser mais tranquilas. Num dia quente, um mergulho aqui é o melhor momento do passeio.
Dica: Cobra-se entrada no portão. Leve roupa de banho e sandálias para a trilha à beira do rio.
AtraçãoDesvio
Reserve 1h30–2 horasCerca de 5,5 km em cada sentido, por um acesso asfaltado

Uma longa crista de arenito cujo topo foi esculpido com canais, nichos, assentos e figuras de animais por povos pré-incaicos, depois usada pelos incas e, mais tarde, pelos espanhóis. É Patrimônio Mundial da UNESCO. Uma trilha e mirantes contornam a rocha, que se observa sem pisar, e a vista sobre os vales ao redor está entre as melhores do dia.
Dica: O acesso sai da Ruta 7 alguns quilômetros antes de Samaipata e sobe sem trégua, com a travessia de um riacho no caminho; vá devagar depois de chuva. Cobra-se entrada no portão.
A estradakm 121–241,6
Ruta 7 descendo até El Torno, depois a pista duplicada até a cidade. A longa descida é onde o piloto cansado erra: use o freio-motor, mantenha-se bem na sua mão nas curvas cegas e reserve tempo suficiente para terminar o trecho de serra ainda com luz do dia.
Comida
Reserve 1 hora com almoço

O ponto de retorno e o mais alto do passeio, a cerca de 1.650 metros. Samaipata é uma cidadezinha da época colonial, de ruas de paralelepípedo e telhados de barro em torno de uma praça arborizada, bem mais fresca que Santa Cruz, com restaurantes simples e cafés perto da praça. É também a porta de entrada do Parque Nacional Amboró, e o museu arqueológico da cidade fica a uma curta caminhada da praça.
Dica: Há um posto de combustível na Ruta 7, na saída da cidade. Abasteça aqui antes da volta: o próximo fica perto de El Torno.
Chegada
A volta é a mesma estrada ao contrário, quase toda em descida até o vale e depois plana e rápida até a cidade. Procure sair do trecho de serra antes de escurecer e chegar à praça a tempo do anoitecer, quando ela se enche de gente à medida que o calor do dia vai embora.
Pilotos estrangeiros geralmente precisam da habilitação do seu país mais uma Permissão Internacional para Dirigir (PID) válida para motocicletas; confira as regras vigentes antes de rodar. Leve habilitação, permissão, passaporte e os documentos da moto, pois os postos de controle policial nas rodovias bolivianas costumam parar motociclistas. Certifique-se de que seu seguro-viagem cobre a pilotagem de motos.
A estrada é asfaltada do começo ao fim, mas 240 km com uma longa subida e muito tráfego de caminhões ficam bem mais confortáveis numa moto de 150–250 cc do que numa scooter pequena, principalmente com garupa. Verifique freios e pneus antes de sair: a descida é longa.
Há muitos postos entre a cidade e El Torno, mas depois nenhum até Samaipata, e o mesmo vazio na volta. Abasteça em El Torno na ida e em Samaipata antes de voltar. Na Bolívia, os postos às vezes ficam sem combustível, e veículos com placa estrangeira podem pagar um preço diferente, então abasteça sempre que puder.
A estação seca, mais ou menos de abril a outubro, é a época ideal. De novembro a março, aproximadamente, chuvas fortes podem provocar deslizamentos e lama no trecho de serra. Nos meses de inverno, um vento frio do sul, o surazo, pode trazer dias cinzentos e gelados, e de agosto a outubro, aproximadamente, a fumaça das queimadas costuma deixar a paisagem enevoada.
Na Bolívia, dirige-se pela direita. O capacete é obrigatório. A Ruta 7 é uma rodovia de trabalho, com caminhões e ônibus em curvas de serra, então pilote na defensiva e nunca presuma que a outra pista está livre numa curva cega. Bloqueios de estrada (bloqueos) acontecem na Bolívia e podem fechar a via por horas ou dias; verifique se há bloqueios antes de sair.
Se a distância total em um dia for demais para você, passe uma noite em Samaipata, que tem muitas opções de hospedagem. Assim você tem tempo para El Fuerte, Las Cuevas e a cidade sem pressa, e pilota o trecho de serra descansado nos dois sentidos.
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